Por que o ser humano está tão acostumado a apontar o próximo, mas não sabe enxergar a si mesmo? Por que será que é muito mais fácil rir do erro dos outros do que aprender com os seus? Questões difíceis. Polêmicas.

Os meios de comunicação de massa, atualmente, têm grande dificuldade em passar diversas mensagens. Tudo está voltado ao que é certo e o que é errado. Os telejornais, por exemplo, estão adaptados ao modelo linguístico culto e formal; sem se falar nos livros didáticos, cada vez mais sofisticados, que muitas vezes causam dificuldades na aprendizagem e surgem sérios problemas de fala e escrita. Assim se origina o preconceito linguístico.

Segundo o sociólogo Nildo Viana a linguagem é um fenômeno social e está ligada ao processo de dominação, tal como o sistema escolar, que é a fonte da "dominação linguística". A ligação indissolúvel entre linguagem, escrita e educação com os processos de dominação, afirma o autor, é a fonte do preconceito linguístico, pois a língua escrita veiculada pela escola se torna a língua padrão e esta se torna norma geral que todos devem seguir, mas o seu modelo se encontra entre os setores privilegiados e dominantes da sociedade. Assim, ele conclui que a escola é a base do preconceito linguístico, e esta reproduz as desigualdades sociais.

As pessoas sem instrução falam errado? São ignorantes? De modo algum. O que fazem é apenas seguir sua cultura, na qual aprenderam que problema é “pobrema”, cérebro é célebro. E de nada vai adiantar ensiná-las a língua “correta”, se já estão acostumados com seu vocabulário, que, de acordo com alguns, é ridículo e vulgar. Porém, quem são esses indivíduos que se acham no direito de julgar? Doutores em Letras? Críticos da Literatura Contemporânea? Ou apenas seres humanos que também podem errar?

O problema do brasileiro é a forma insistente de criticar e discriminar aqueles que “são diferentes”, e ter prazer ao corrigir uma palavra “errada” de alguém em público. Isso, sim, é desprezível. O problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê. Às vezes, a pessoa que corrige a outra e se considera mais capacitada, acaba usando expressões que ela própria desconhece, e sua imagem fica muito pior do que quem falou “incorretamente”.

Portanto, é preciso pensar antes de julgar alguém que faça uso de uma linguagem diferente. A questão essencial não é a beleza, mas sim a compreensão.

“Algum dia, talvez, quando os seres humanos souberem compreender uns aos outros, somente as palavras bastarão...”