Os avanços na tecnologia virtual trouxeram à tona diversos problemas de fala e escrita, ocorrendo principalmente entre os jovens, que constituem a maior parcela de usuários on-line no mundo todo. Segundo pesquisas realizadas no ano de 2007, o Brasil ultrapassava 30 milhões de usuários do MSN Messenger, resultando na maior base do comunicador no planeta. Porém, não é apenas o famoso MSN que mantém uma incrível taxa de indivíduos na rede; há também o Orkut que, já que a maioria das conversas não é em tempo real, passa menos tempo conectado, mas é um - se não o mais famoso -, dos sites de relacionamento mais ativos na Internet, e nem é preciso dizer que os maiores “orkuteiros” da história somos nós, brasileiros.

Entretanto, a grande preocupação de professores e profissionais da área da educação é a influência desses métodos de escrita na vida do estudante, sobretudo nos últimos dois anos do Ensino Médio, quando é expressamente necessário revisar as regras para a produção de dissertações. As diversas gírias e abreviações muitas vezes são passadas para o papel, não só criando uma péssima imagem do aluno, como igualmente reprovando-o por uso indevido da Língua Portuguesa. E em tantas dessas vezes, ele nem percebe os erros que comete, de tão acostumado que está a escrever de forma rápida que, para si, é do mesmo modo bonita.

Vamos imaginar um estudante que, poucas horas antes da prova do ENEM, esteve o tempo todo on-line, conversando com seus amigos e usando gírias que talvez nem ele próprio pudesse entender. Como ele se sairá na redação do exame? Se você pensou em algo como “Nossa, muito mal”, acertou. Além de obter um zero justificado, terá enormes chances de não conseguir entrar em nenhuma universidade. Que oportunidades terá uma pessoa que parece adorar escrever errado? Como é possível aprovar alguém que tenta assassinar o Português? Isso mesmo, assassinar o idioma é o que muitos estão fazendo por aí, nos chats e grupos virtuais do mundo inteiro.

Como se não bastassem as terríveis falhas de ortografia, ainda é possível visualizar as “confrarias virtuais”, onde alguns se juntam para falar em sua linguagem inventada, com trocas de letras e uso de símbolos, como o Miguxês (estranho, não é?). Observe: “Oi, amiguxo leitor, como voxê tá?” Ah, por favor, vá estudar, não perca tempo escrevendo dessa maneira! Insuportavelmente ridículo. (E que me desculpem os adeptos do Miguxês, porém essa é a minha opinião, assim como vocês talvez não suportem a língua culta e formal).

Tudo bem, não é preciso estar sempre em dia com o Português, afinal, erros são propícios de ocorrer até para o mais conceituado professor e PhD em Letras. Não estou afirmando que é necessário falar e escrever como se você fosse um robô da gramática, isto é, decorar palavras e acentuações, que talvez nem saiba o verdadeiro sentido. Entretanto, deve pelo menos respeitar a Língua Portuguesa. Escrever errado de propósito não é nem um pouco bonito. Escrever errado por falta de conhecimento pode até ser aceitável, mas é necessário saber que há diversos meios de aprendizagem. E nunca é tarde. Leia um livro e verá os resultados. Um dos maiores problemas quanto à dificuldade na escrita é falta de leitura, especialmente entre os adolescentes, que preferem passar o dia em um jogo de computador do que aumentando seus conhecimentos na companhia de um livro. Se soubessem a maravilha que existe em cada um mudariam de ideia. Ler é a melhor viagem que as letras podem nos proporcionar.

Já imaginou o mundo falando e escrevendo só com gírias e “invenções da língua”? Já pensou na confusão que seria? Pois é, se ainda não imaginou, nem imagine!