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Helen Bampi

E-bookMania: será o fim do livro impresso?

A cada surgimento de uma nova tecnologia especula-se o fim de outra. Assim aconteceu com o rádio, a televisão e o jornal impresso, que cada vez mais são substituídos pela célebre internet. E o livro? O fato é que o livro continua vivo e não dá sinais de debilidade, mesmo com a intervenção de um novo fator: o e-book, ou, melhor, o livro eletrônico. Assim acredita Lya Luft, que afirma que ele não ocasionará o fim das editoras, muito menos a morte dos escritores. “As discussões sobre o fim do livro e a morte das editoras, quem sabe dos escritores, me parecem tolas, material de intermináveis diálogos e discussões vazias, artigos sem fundamento, entrevistas sem interesse.” (Veja, 2010)

A autora defende que o livro eletrônico tem seus benefícios como todo artefato moderno, porém não deixa de mencionar as desvantagens claras que isso poderá desenvolver, tais como a exigência de mais decodificadores e suportes, além de ter que manter a biblioteca digital sempre atualizada, enquanto que o registro de papel é permanente. É preciso lembrar ainda que há a saúde dos olhos, que fica comprometida devido ao excesso de luminosidade e ao modo de leitura na tela.

Entretanto, Luft afirma que livro e e-book podem vir a serem amigos. Assim como a televisão e o teatro, a internet e outros meios de comunicação. Cabe a cada um de nós escolhermos o que é melhor para si. Pode ser, em um futuro não tão distante, que a leitura eletrônica substitua a impressa. Mas e qual o problema? Se, na verdade, o que importa é o conteúdo e não a forma; é o prazer e não a beleza. O que vale realmente é a viagem pelas palavras.

Em contrapartida, Alexandre Carvalho dos Santos, em seu texto “O futuro (e o fim?) do livro”, aponta que representantes de editoras e distribuidores de livros estão cada vez mais preocupados com o futuro dos impressos. E toda essa preocupação se deve a um pequeno aplicativo de funções poderosas: o Kindle. Ele foi lançado pela Amazon, e por meio do site da empresa é possível procurar e comprar os livros favoritos para ler diretamente do Kindle, sem precisar de um centímetro de papel. Tudo isso em questão de segundos! Claro que, como tudo que é bom – ou prático –, ele é pago. Cada e-book sai por 10 dólares, aproximadamente 20 reais. Bem mais barato que o livro impresso, e sem mencionar a qualidade – armazena mais de 1500 obras, e a comodidade que ele proporciona. Porém, ainda é um privilégio exclusivo dos americanos. Na verdade, nós, brasileiros, podemos consegui-lo, porém isso deve ser feito internacionalmente, ou seja, pagando impostos e juros abusivos. Nesse caso, muitos estão optando por um tablet, que além da leitura de e-books, tem muitas outras opções.

O autor segue discorrendo sobre os prós e contras do livro eletrônico. Afirma que, ao menos por enquanto, não será o fim das editoras, já que novos autores necessitam delas. Mesmo assim, editoras e lojas estão criando negócios no mundo virtual. Até algumas escolas e bibliotecas norte-americanas estão se especializando em pesquisas online para poder ajudar os usuários a filtrar informações encontradas na web, devido ao lixo existente na internet. Mas o livro eletrônico precisa ainda ser aprimorado até que se torne fonte de pesquisa e lazer seguros para os usuários. O e-book ainda não conquistou seu território realmente, apesar de que a venda de livros eletrônicos para o Kindle já é maior que de livros brochura: a cada 100 livros de brochura são vendidos outros 115 e-books para o Kindle. Contudo, como afirma o autor, “o ringue está pronto. E o livro impresso, com suas capas coloridas, o cheiro de tinta e uma experiência de tato ainda inigualável, terá de barrar o ímpeto de seu oponente – mais jovem e cheio de novidades. Antes que o novato vire um produto a que nem o leitor mais conservador consiga resistir.” (Superinteressante, 2009).