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Arduini (1977, p. 81) já descrevia: “O discernimento é lucidez do espírito e sinal de maturidade humana”.

            A partir desta afirmação, podemos realizar uma imensa e produtiva reflexão (e teríamos, com certeza, chance para aprofundarmos muito mais!). Para delimitarmos este momento, ficamos, então, no âmbito daquilo que é imprescindível para quem deseja almejar um bom desempenho diante das inúmeras situações da vida diária, cotidiana, social e até mesmo, naquilo que se refere às situações de âmbito pessoal ou particular: o discernimento.

No nosso movimentado e intenso cotidiano, certamente, nos deparamos ou nos encontramos diante de algum pensamento, diante de algum fato, acontecimento ou com algo que nos causa impacto. Diante disso, como é a nossa reação? Em geral, num primeiro momento, ficamos “anestesiados” (muitas vezes ficamos sem saber o que falar, como reagir, etc). Porém, num momento posterior, a nossa atitude deverá nos “tornar especiais”, deverá nos fazer diferentes. Só que para nos “tornarmos especiais”, alguma coisa em nós, deve ser fundamental nesta hora: devemos exercitar, com toda destreza, clareza e sabedoria, o discernimento.

            Muito se diz (e é verdade), que o discernimento é a capacidade de perceber a configuração dos seres, a forma e espessura das coisas, as fronteiras que separam o justo do injusto. Sim, o discernimento ajuda a ver a pluralidade do mundo, a sondar os diversos níveis dos acontecimentos, a enxergar até onde chega a inocência e onde começa a malícia. Mostra as articulações claras ou ocultas dos fatos e também, revela as raízes das contradições estruturais e claro, do distanciamento social entre os homens. Nos faz interpretar os acontecimentos, a realidade, o fato!

            O discernimento, podemos ainda acrescentar, proporciona o equilíbrio do espírito, a saúde mental. Produz assim, a maturidade social, política, econômica e moral. A maturidade é interpretativa, porque questiona posições, interpreta atitudes, seleciona caminhos, avalia soluções.

            Se por um lado, a maturidade nos leva ao discernimento e nos “torna especiais”, a imaturidade, por sua vez, nos deixa embaralhados diante dos fatos ou acontecimentos. Afirmamos sim, que a imaturidade identifica realidades divergentes, confunde aspectos já contraditórios, generaliza abusivamente e busca, infelizmente, a uniformidade simplista. Podemos dizer, então, que a imaturidade é pré-crítica. Ela não consegue ponderar valores, não faz distinção de situações e ainda, desoculta motivos. A imaturidade reduz a multiplicidade dos fatos, torna-se simplista porque evita a complexidade do mundo e dos fatos para catar apenas um dado imediato e superficial. Porém um alerta: simplificar a realidade complexa não é compreendê-la ou cultivá-la. É atrofiá-la.

            Por falta de discernimento, as pessoas perdem a fisionomia dos problemas. Não conseguem distinguir os valores e os erros que se misturam na própria vida ou num processo social. Já a maturidade, consegue unir o que deve ser associado e separar o que deve ser dissociado.

            Nunca é tarde demais para tentar uma nova experiência existencial. Superar-se, promover a esperança, reconstituir seu caminho (e seu caminhar), ainda são atitudes possíveis no mundo de hoje. O homem, coerente consigo, compreensivo, interpretativo, sabedor de seus limites e de sua finitude, deverá exercitar e aprimorar, a todo instante de sua existência, este “algo” que nos faz ou nos “torna especiais”: o discernimento. Para tanto, não faltam situações do nosso dia-a-dia, elementos, fatos ou “coisas que acontecem”. Esta atitude, que faz a diferença, nos eleva e nos proporciona a tão sonhada maturidade!