Publicidade

Lauro Edson Da Cás

A Comunicação: implicâncias e desafios

Nossa vida é uma constante comunicação. Neste processo comunicativo, a linguagem torna-se imprescindível para o desenvolvimento humano-cultural. Ela não apenas comunica conhecimentos, informações, mas, de modo especial, consegue expressar sentimentos, afetos, enfim, a própria pessoa.

Ao entrarmos no universo da comunicação social, antes de tudo, é mister destacar que a comunicação começou a se desenvolver como matéria de reflexão somente no século passado. Isso se deve, em grande parte, ao impacto causado pelo surgimento das novas tecnologias de comunicação.

Sabe-se que comunicação é termo de largo espectro e de uso variado. Pode gerar, nesse sentido, confusões, erros de entendimento e nem sempre se sabe muito bem do que se fala, quando empregamos tal palavra. Portanto, impõe-se a necessidade de elucidação.

Diz-se comunicação quando se quer fazer referência à ação de pôr em comum tudo aquilo que, social, política ou existencialmente, não deve permanecer isolado. Para aproximar e promover o acolhimento das diferenças entre os homens, dá-se o nome genérico de ‘linguagem’.

As comunicações não devem ser confundidas sem mais, com a comunicação. Este termo, contudo, deve ser reservado à interação humana, à troca de mensagens entre os seres humanos, independentemente, do aparato responsável pela mediação. A busca de comunicação, tornou-se quase obsessiva no mundo de hoje. Aparece insistentemente em todas as formas culturais de nosso tempo.

O antropólogo Lévi-Strauss afirma que, “uma sociedade é feita de indivíduos e grupos que se comunicam entre si”. Assim, confirma-se que o homem é um ser em relação. A comunicação tem sua raiz no próprio ser humano. Tanto é que o mais primário e multiforme sentido do homem é ser e ter o instinto de comunicação. A pessoa fala.

O homem é estruturalmente um ser para o outro, um ser aberto, capaz de comunicar-se com o mundo, com o seu semelhante e, inclusive com Deus. Ele necessita da comunicação interpessoal, para descobrir-se como pessoa. “A pessoa dá sinais da própria existência, quando está se relacionando com os outros seres humanos. O homem é homem e existe com os outros em virtude da linguagem, enquanto juntos existem na linguagem. A pessoa nunca existe sozinha, mas em relação com um outro que lhe dá identidade” (Gomes, 1994).

Enfim, comunicando-se o homem se afirma como pessoa. Acrescenta-se também, que a vida e a realização do homem dependem da comunicação. Ora, “o homem, comunicando-se, se torna gente, se torna ele mesmo. O contrário também é verdade: sem comunicação o homem não é gente” (Moesch, 1995).

Ao saber que a vida e a realização do homem dependem da comunicação, certamente poderíamos acrescentar que a própria comunicação está cercada de algumas exigências. A comunicação situa-se como ponte das relações éticas, econômicas, estéticas e cosmológicas.

Não podemos falar de comunicação de uma forma ideal, mas da comunicação que nos é possível, em cada momento, com cada pessoa, dentro das nossas características, estilos e histórias pessoais. A comunicação globalmente considerada e largamente citada, apresenta formas autênticas e inautênticas. De fato, nem tudo que se rotula de comunicação pode ser acolhido como fenômeno autêntico.

Outra exigência da comunicação, embora seja algo corriqueiro no cotidiano de muitos de nós, é o fato de que não basta haver contato para que se tenha comunicação. Exatamente isso. Há pessoas que esbarram nos outros, atropelam a consciência dos semelhantes. Isso não é comunicação. Isso pode ser, poderíamos dizer, uma ação transitiva agressiva, mas jamais, uma verdadeira articulação vital entre seres conscientes.

Diante do desafio da comunicação e do próprio comunicar, espera-se que a ação e o efeito da comunicação seja integral, pois o homem é uma unidade. Moesch (1995), descreve que “ele (o indivíduo ou o homem) vive a unidade de seu ser, sem a distinção dualista entre corpo e alma, entre idéia e emoção, entre falar e agir (....) muitas vezes vale mais a maneira como nos comunicamos do que o próprio conteúdo que expressamos. Daí uma exigência fundamental para a verdadeira comunicação: ser integralmente e sempre”

Que não se faça da comunicação algo estranho e distante de nós. Que esta sede de comunicação, não se transforme em algo mítico. Comunicar é respeitar o outro. Não impor-se sobre o outro. Imposição e manipulação não são formas para que a comunicação seja autêntica. Ao contrário, é chamar o outro a se descobrir, a participar, a ser ele mesmo livre-responsável.