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Lauro Edson Da Cás

Escrever a Vida

            O homem é uma continuidade existencial. É uma vida que se faz em cada momento e se expande em cada gesto. Não podemos considerar apenas o que o homem é, mas também, o que poderá ser ou deixar de ser.

            Ser homem, não é somente mostrar uma realidade já existente, mas converter-se em nova realidade. Ninguém está condenado a ser eternamente o que tem sido até aqui. A partir daqui, deste momento, a pessoa pode reformular a vida, pode lhe dar outro significado. Pode até mesmo, propor-se outra direção e buscar outro sentido para viver.

            Várias concepções fixistas enrijeceram a interpretação do homem e decretaram ali, sua mutilação. Reduzir o ser humano a uma definição esquemática, não é (nem foi) a melhor saída. Por quê? Porque o homem sem possibilidade de modificar a existência, é uma criatura sem “futuro”, sem sentido. Infelizmente, em outras palavras, poderá ter qualquer outro predicado ou qualidade, menos ser considerado homem. Logo, perderá sua essência.

            Felizmente, há pensadores que interpretam a condição humana segundo outra perspectiva. Não mais o homem trancado dentro da existência. Mas sim, o homem em “excursão”, chamado saltar barreiras que porventura surgem no seu caminhar. Isso, significa existir.

            Existir, além do mais, é poder distanciar-se de um estilo de vida. Ressalta-se que isso não significa consumir com a existência dada, mas de elaborar a existência que não está simplesmente fornecida. Assim, a existência humana surge, então, como um movimento permanente, que pode ser de crescimento e aviltamento.

            Lembro, no entanto, de Bergson que descreve a vida como “a duração que se faz continuamente”. Para Chardin, “o homem é o fenômeno que se concentra em consciência ascendente, mediante a complexificação crescente”. Já o antropólogo Duvignaud, entende o “ser humano como autonomia capaz de inventar a vida” e para Karl Jasper, “a decisão humana é criadora de existência”.

            Nestas definições, vale dizer que o que caracteriza o homem não é o estar definido, mas o ser capaz de definir-se. Outra, ao decidir, o homem se define. Relembrando os fixistas, a decisão não teria sentido, visto que, tudo está previsto, resolvido e tudo está “colocado no seu devido lugar”. Portanto, cancelar a decisão é cancelar o homem.

            O ser pessoal é uma história original, própria, onde se escreve durante a vida toda. Vale lembrar, porém, que ao decidir, o homem poderá ampliar ou arruinar-se, pode acontecer o melhor e também, o pior. Tudo pode acontecer quando há decisão humana. Em cada decisão, enfim, o homem se faz ou se desfaz.

            Concluindo, cabe-nos lutar para que nossa decisão pessoal aumente, onde estivermos, a esperança, as “coisas boas” e não o medo, o pior.