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Nos últimos 23 anos tenho estudado sobre o tema bipolaridade, após me deparar com ela muito próxima. Tanto tenho pesquisado que poderia ariscar uma tese de doutorado e chegaria longe.

Após ministrar sobre o assunto em dois momentos para universitárias (os) de psicologia e saúde muitos se aproximaram contando alguns detalhes que seria antiético de minha parte citar aqui. Leva-me a pensar seriamente em detalhes que podem servir de sugestões a tantos que se dedicam, formados ou não, ao estudo da bipolaridade.

Bullyng, brincadeirinhas, ou até ofensas mais pesadas rondam o assunto, e o pior, que na prática há muitos “psicólogos” e “psiquiatras” de plantão diagnosticando-a. Mais que isso muitos sintomas são atribuídos aos portadores de distúrbios bipolares, basta saber até que ponto podemos nos dar o direito de atribuir o distúrbio a alguém, mesmo em “brincadeirinhas bobas”.

Quero enfocar este assunto, pois há muitos problemas nos diagnósticos, mesmo os profissionais, mais experientes. Ou mesmo os que estão saindo da Universidade com novas ideias, muitas pesquisas, podem se equivocar, pois é necessário algum tempo para o diagnóstico correto, e este, acredito, vem a ser o maior problema da bipolaridade, não se tem muito tempo para poder “estudar” o portador do distúrbio e o erro pode ocorrer.

Por outro lado temos muitos avanços na medicina, na ciência, na psicologia, na terapia em geral. Hoje há tantos recursos que nem dá para imaginar certas pessoas sofrendo da bipolaridade, pois, ou nunca tiveram crises maiores, ou conseguem com medicação, terapia acompanhada (de várias formas) conseguir manter uma vida muito próximo do normal, se existe um “normal” como parâmetro na vida humana contemporânea.

Para voltar ao título, certos sintomas do bipolar deveriam ser repensados nesta vida agitada que temos na atualidade, não podemos ter os mesmos parâmetros de 50, 20 ou mesmo de 10 anos atrás, pois tudo está diferente, a vida está mais dinâmica, o que levava anos, leva semanas; o que levava dias leva minutos. Cuidado! Sintomas de bipolaridade estão virando comuns à maioria da população ativa.

Sobre o autor Roque JR

Roque JR é graduando em Sociologia e História na UCS, ambos os cursos mais de 50% das disciplinas cursadas. Fotógrafo há quase três décadas. Lançou sua primeira obra literária em 1999. Editor e historiador, já publicou 18 obras literárias. Foi fundador do CASFF, da UFES, do LEO Clube Farroupilha Imigrante, militante em várias áreas em especial no meio estudantil entre 1987-2014. Atualmente dedica-se a Literatura; à Luta antimanicomial, Saúde Mental e Saúde Pública.

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