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Em momento que os “polos mentais” em uma Bipolaridade de entendimentos adversos no Rio Grande do Sul se distanciam, onde de um lado defensores do retrocesso, da ‘doença mental’, defendendo os manicômios, hospícios, do eletrochoque, de remédios meramente dopantes e de tantas atrocidades.

De outro a Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, que teve seus precursores em nosso Estado, inclusive, em 1992 a primeira lei estadual de derrubada do antigo modelo, e a lei nacional, após muita luta, só entrou em vigor em 2001.

Grupos ligados principalmente a Clínicas e hospitais particulares e políticos financiados por esses grupos desumanos, que em momento algum pensam na ‘Saúde Mental’, no reingresso, ou ingresso na sociedade das pessoas que sofreram algum dano em algum momento de suas vidas, que ‘lucram’ muita ficando internados meses, anos, décadas em suas fábricas de loucuras, muitas vezes sugando dos cofres públicos.

Esse grupo contra a reforma ligados a hospícios, entre tantos que foram fechados por não mostrarem a mínima condição de saúde ou recuperação de seus internados, muitos até na alimentação e que agora querem reabrir.

Esse mesmo nosso Rio Grande se levanta com tamanho avanço social e na saúde, e no próximo mês mais um grande marco, o 11º Mental Tchê, evento que esta mobilizando nesta edição mais de quatro mil mentaleiros para debater esse assunto, como entoamos nosso Hino “Que sirvam nossa façanhas de modelo a toda terra”.

Nesse contexto de especial grandeza, nós, da Saúde Mental de Farroupilha-RS estamos nos reunindo e hoje(23ABR2015) fundamos a AFFUSME – Associação Farroupilhense dos Familiares e Usuários da Saúde Mental.

Do jeito que está progredindo pelo estado essa onda de garantir os avanços que conseguimos, e muitos antes de nós também o fizeram e na certeza que não podemos retroceder de forma alguma e com grandes possibilidades de, ao menos, procurar conscientizar a sociedade em geral do que esta acontecendo e mostrar o que realmente irá retroceder se não forem mantidas certas ousadias que ainda hoje são lisonjeadas por muitas famílias que tiveram seus entes ‘curados’.

Muito ainda precisamos evoluir nos tratamentos, a introdução do psicossocial no SUS possibilitou através de multisserviços: Arte, Assistência Social, Educação Física, Música, Psicologia, Terapia Ocupacional, entre tantas outras formas de procurar melhorar o comportamento a saída real e viável à Saúde Mental.

Não podemos voltar ao ‘doente’ como último a ser consultado, ou mesmo ‘procurado entender e auxiliar’, como louco, ou maluco, pineu... Mesmo que esse grupo minoritário e conservador, mas com poder, afirme muitas inverdades que estamos procurando provar em público. (continua na próxima coluna)

Hoje temos ótimo tratamento, e pelo SUS, da Saúde Mental, há mais de 16 meses acompanho de perto o andamento em Farroupilha-RS e alguns municípios.

Podemos nos orgulhar da forma psicossocial que está se tratando não só usuários, mas familiares e a sociedade em geral. Farroupilha-RS é referência também nesse assunto, em outro momento resgatarei parte da história da ‘doença mental’.

Para dar um foco na prática, remeto há um ano, no 10ºMental Tchê uma usuária há trinta anos ‘atirada’ num hospício, manicômio e ela mesmo se pronunciou pelo microfone para mais de duas mil pessoas, expressando sua melhora depois de uma forma antimanicomial.

 

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Sobre o autor Roque JR

Roque JR é graduando em Sociologia e História na UCS, ambos os cursos mais de 50% das disciplinas cursadas. Fotógrafo há quase três décadas. Lançou sua primeira obra literária em 1999. Editor e historiador, já publicou 18 obras literárias. Foi fundador do CASFF, da UFES, do LEO Clube Farroupilha Imigrante, militante em várias áreas em especial no meio estudantil entre 1987-2014. Atualmente dedica-se a Literatura; à Luta antimanicomial, Saúde Mental e Saúde Pública.

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