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Conheci a história de um estudante que encontrou celular no coletivo em Caxias do Sul-RS, entregou à cobradora e antes de descer, o proprietário já tinha entrado em contato para combinar onde buscá-lo.

Outro caso, esse virou matéria em vários informativos, inclusive na RBS TV, onde mulher encontrou o envelope de depósito no caixa eletrônico e devolveu ao banco que encontrou a proprietária e devolveu.

Há mais tempo, algo mais divulgado, nacionalmente, encontrou maleta com milhares de Reais e foi encontrado o dono, mas há os que já fazem comentários maliciosos: “se fosse eu não devolveria, dinheiro não tem dono”.

Nos abismamos e vira notícia coisas semelhantes a essas, por vezes com maior ênfase que as próprias corrupções, mas deveria ser um fato normal, e que todos deveriam ser assim.

Quantos encontrar celulares, hoje ação cada vez mais corriqueiras, e a primeira atitude é desliga-lo e retirar o chip para ficar com o mesmo. Outros casos de pessoas que encontram valores, ou “coisas valiosas” em locais que podem ser encontrados seus reais donos, mas não o fazem, por ação equivocada.

Lembro com detalhes, quando, nem 16 eu tinha, meu pai, ainda caminhoneiro, trouxe de viagem algumas coisas e deixamos uma parte na calçada para levar outra até nossa residência, há uns 30 metros de onde estava o caminhão quando voltamos percebemos a falta de uma mercadoria, mesmo por poucos segundos e isso faz quase três décadas.

Quando, no mercado (ou bolicho) do bairro, alguém paga com R$ 20,00, recebe troco para R$ 50,00, sabendo, não devolve também está cometendo um ato irresponsável.

Quando alguém passa pela rua, vê um brinquedo, mesmo que tenha possibilidades para compra-lo, olha para os lados, para ter a certeza que não é visto, indevidamente leva para suas crianças também está se corrompendo.

Com isso afirmo que o que seria “normal” estranhamos e o achamos “normal” a corrupção que tem sua origem cultural, antes da proclamação de independência já estava enraizado na população em geral cometer o “erro”, o “jeitinho brasileiro” e a própria “lei de Gersom”.

Quero dizer com os parágrafos acima que a corrupção não se resume a grandes empresários que sonegam aqui e no exterior, bem como políticos. Mas que muitos que inflam o peito para criticar tantos corruptos, em sua intimidade promovem muitas falhas.

Não quero defender os corruptos, todo erro, em especial aos cofres públicos devem ser punidos, mais que isso, reposto os valores roubados. Mas temos que trabalhar a cultura de nosso povo, no cotidiano, conscientizar as pequenas coisas erradas.

Sobre o autor Roque JR

Roque JR é graduando em Sociologia e História na UCS, ambos os cursos mais de 50% das disciplinas cursadas. Fotógrafo há quase três décadas. Lançou sua primeira obra literária em 1999. Editor e historiador, já publicou 18 obras literárias. Foi fundador do CASFF, da UFES, do LEO Clube Farroupilha Imigrante, militante em várias áreas em especial no meio estudantil entre 1987-2014. Atualmente dedica-se a Literatura; à Luta antimanicomial, Saúde Mental e Saúde Pública.

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