Em seis de outubro estarei na UPF ministrando sobre tema aqui intitulado, quero me antecipar e te direcionar, a ti universitário ou profissional da Saúde de Passo Fundo-RS, que aceitei, nos primeiros cinco minutos de contato, essa difícil missão.

Neste momento, que tantos retrocessos na Saúde Mental, não me estranharia que voltássemos a chamar de doença mental, ou que a Higienização Social voltasse a ocorrer com trens percorrendo estados e depositando em manicômios, hospícios, sanatórios, que são mais conhecidas por “clínicas” esses seres considerados, até bem pouco tempo, quase humanos (perseguidos políticos, prostitutas, homossexuais, desempregados, andarilhos e... e se tiver alguns “bipolares”, “psicóticos”, “esquizofrênicos” iriam juntos).

Seriam amontoados em chão, sem colchões, banho de água fria, choques elétricos, banheiras com água morna, com canalização para ir alterando seu conteúdo líquido e as fezes do indivíduo nu por semanas nela “hospedadas”.

Estava esquecendo, os choques elétricos serão aleatórios (ou por castigo, pode escolher). A medicação dopante, para, no mínimo não incomodar por semanas.

Os quartos, ah! Esqueci, não há quartos, apenas enormes enfermarias com dezenas e dezenas de triliches, camas de ferro, isso para quem tiver planos, os demais não tem choro, já informei sem roupa e no chão, piso que, ao amanhecer equipe já definida de “hóspedes” varrerão com esguichos de água para retirar as fezes depositadas por dezenas na madrugada.

Confesso que não me estranharia tudo isso voltar a ocorrer, sou historiador, e acredito (prego) a História ser espiral, volta a ocorrer muitos fatos históricos em momentos diferentes dos tempos. Só para te instigar a pesquisar mais na área, e saber como era.

Pegando da história da psiquiatria, há mais de 4000 anos, no Egito há registros do uso da ciência com outros moldes. E a “bipolaridade” foi “definida com as características semelhantes às atuais” há mais de 2000 anos, de lá pra cá muita tristeza e há poucas décadas a Saúde Mental tratada mais humanamente, com afeto, entendendo o Ser “louco” protagonista da história.

Nosso estado tem péssima história sobre manicômios, sanatórios, hospícios, hospitais de loucos. Muitos estudos, e estudos fundamentados, acadêmicos por mestres e doutores. Registraram muitos momentos que muitos animaizinhos de estimação nunca passaram e vão morrer sem sofrer a décima parte.

Por outro lado, como a maioria dos protocolos, deixo as boas notícias. O RS foi o primeiro estado brasileiro a promulgar Lei Antimanicomial. De 1992, promulgação, até MAI2015 não houve ampliação nem construção de nova Clínica Psiquiátrica.

Cada vez mais Hospitais Gerais ampliam os leitos psiquiátricos. Todas as formas: recursos humanos, locais, cursos, divulgação das RAPS, com CAPS e Residenciais Terapêuticos.

E ótima informação que tenho apenas de Belo Horizonte-MG: a média de internação é de 16 dias atualmente. Feita a tarefa de casa, estarei lá te aguardando na palestra! Já vá pensando em questões para conversarmos.

Sobre o autor Roque JR

Roque JR é graduando em Sociologia e História na UCS, ambos os cursos mais de 50% das disciplinas cursadas. Fotógrafo há quase três décadas. Lançou sua primeira obra literária em 1999. Editor e historiador, já publicou 18 obras literárias. Foi fundador do CASFF, da UFES, do LEO Clube Farroupilha Imigrante, militante em várias áreas em especial no meio estudantil entre 1987-2014. Atualmente dedica-se a Literatura; à Luta antimanicomial, Saúde Mental e Saúde Pública.

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