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Os chineses já se acostumaram com a vida voltada para a educação rígida desde a infância, como sentem orgulho de formarem os alunos mais aplicados. Trinta e cinco anos depois da abertura econômica da China, ela tem o ensino mais eficaz do mundo. A rotina dos alunos está relacionada com estudar mais de dez horas ao dia, tocar instrumento musical, ter aula de inglês impecável e outro idioma, fazer esportes, cantar o hino nacional todos os dias, ler muito, não assistir TV, dentre outras coisas.

O governo chinês realiza competições para os alunos, em diversas etapas do ano a partir dos seis anos, onde os mesmos recebem condecorações. Tanto os alunos quanto os professores se sentem vigiados, com medo da punição, pois o Partido Comunista está no poder. Embora as escolas sejam estatais, a família separa 60% da renda familiar para a educação de um filho único. Os alunos são incumbidos de serem sempre os primeiros alunos da classe em todas as matérias, caso tirem nota abaixo de dez, são tratados de ‘preguiçosos’.

Os resultados do principal exame de avaliação de aprendizado mundial, o Pisa (Programme for International Student Assessment), anunciados em dezembro passado, comprovam isso. Com folga, os chineses conquistaram o primeiro lugar em todas as categorias: ciências, leitura e matemática. Na matemática, a China chegou a 600 pontos. Também representou 113 pontos acima dos Estados Unidos (17º no ranking geral) e 214 a mais que o Brasil (53º).

De acordo com a professora brasileira Tarsila Borges, que leciona língua portuguesa há quatro anos na Universidade de Pequim, a principal diferença não está na estrutura, mas na mentalidade. Tanto é que o governo chinês investe apenas 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação — menos do que os 4,7% do PIB que o Brasil investiu em 2010 e do que os 6% recomendados pela Unesco. “Se você se esforçar, tudo consegue. É esse o raciocínio.”

(Adaptado da Revista Galileu, março 2011)