alt Saber é uma atribuição adquirida pelo estudo e impossível de ser comprada.

A estrutura educacional brasileira está cada vez mais permissiva; o excesso de flexibilidade nos processos de avaliação do ensino básico favorece o desenvolvimento consentido de analfabetos funcionais, indivíduos incapazes de compreender o sentido de textos intelectualmente mais refinados, assim como de expressarem suas próprias idéias de forma clara e consistente em escritos ou em oralidade.

Quando ocorre a reprovação, a culpa é do professor, quando o aluno não compreende o conteúdo da disciplina, a culpa é do professor, e assim sucessivamente, circunstância que evidencia o espírito de ressentimento entranhado numa tipologia estudantil. No sistema de ensino, o professor é vítima constante de assédio moral e pressões institucionais para que possa satisfazer incondicionalmente os caprichos infantis dos alunos, cada vez mais narcotizados pela infame lógica monetária do “pagou, passou”.

Cada vez mais são constantes casos em que alunos descarregam as suas frustrações existenciais nos professores, sem que medidas corretivas adequadas sejam adotadas para proporcionar o estabelecimento do respeito para com a classe docente.

Talvez a crise da organização familiar seja uma das possíveis causas para a degradação do tecido social e sua inerente manifestação na conturbada realidade estudantil da contemporaneidade. Os valores morais e o senso de cidadania devem ser ensinados em especial pela família, cabendo a um estabelecimento de ensino transmitir os conteúdos pedagógicos de cada disciplina e reforçar, mediante a convivência pública cotidiana, a consciência cidadã.

A estrutura familiar tradicional não é mais capaz de promover em seus jovens o desenvolvimento rigoroso do respeito, do senso de responsabilidade, da autonomia, postulando-se para os professores o papel que caberia aos pais, alienados das suas funções basilares. (com base na reportagem do Doutor em Filosofia, Renato Nunes Bittencourt, revista “Filosofia, ciência&vida”, p. 15-22)