A sociedade não dispõe de um ensino público de qualidade por não ser esta uma prioridade do poder público, por outro lado o poder público não a prioriza por não ser uma demanda da sociedade. Acredita-se que para legitimar qualquer diálogo e iniciativa no campo do ensino precisa-se envolver não só os professores, mas a sociedade em geral.

Assim, cabe à sociedade assumir sua responsabilidade diante do ensino público e ao poder público cabe não só compreender, mas, principalmente vivenciar a escola estabelecendo um diálogo verdadeiro e profundo com o professor, buscando uma transformação social sustentável baseada em valores humanos mais éticos e mais justos.

Desta forma, o professor não participa das tomadas de decisão, atuando na prática, como um mero executor. Essa postura imperativa dos gestores públicos não permite nem mesmo a sensibilização desses profissionais diante das propostas apresentadas e, por isso, estas são parcialmente alcançadas ou fracassam na sua totalidade.

Cabe ao poder público estabelecer um diálogo verdadeiro com o professor buscando soluções a partir do amplo entendimento sobre a escola pública. Desta forma, seria possível a promoção de políticas públicas educacionais que fossem cúmplices da produção de um conhecimento crítico, político e transformador, o que somente se conseguirá a partir da melhor qualidade da prática de ensino-aprendizagem, em todos os níveis do sistema público de ensino básico.

À sociedade cabe engajar-se, assumir sua responsabilidade e exigir o seu espaço de participação no ensino público, pois sabe-se que essa é a principal forma de controle das atividades pedagógicas e da aplicação de recursos educacionais dentro de cada necessidade e realidade.