Waldir Roque Maffei

Cuidando da cidade!

A cidade é o espaço de compartilhamento da vida em sociedade, local de convivência plena, onde moramos, trabalhamos, construímos nossos projetos de vida. Por que, então, nem todos nós temos consciência do nosso papel no cuidado desse espaço? Por que vemos, diariamente, cenas repetidas de depredação do patrimônio público, de agressão no transito, ou atitudes tão corriqueiras e simplórias como jogar lixo no chão ou depositá-lo em locais não apropriados?

Se atitudes como essas causam revolta à maioria de nós, ao mesmo tempo nos perguntamos por que essa indignação não atinge a todos? O que falta para que cada compartilhe da mesma preocupação? É preciso discutir maneiras de despertar a responsabilidade social em cada um de nós, ou seja, fazer brilhar em cada indivíduo o seu papel de cuidador da cidade.

Significa que cuidar da cidade é muito mais do que preservar o patrimônio público: é acima de tudo ter uma atitude fraterna e de respeito com os demais cidadãos, inclusive nas nossas relações familiares, comunitárias e de trabalho.

Poderíamos ter um compromisso cívico num processo de capacitação de cuidadores da cidade e levar a outras pessoas essa experiência, mostrar que ações de voluntariado espontâneas formam uma rede e pode ser articulada em busca de resultados concretos ainda maiores para o futuro.. Estamos portanto, diante de uma grande oportunidade para fortalecer e ampliar a consciência cidadã, pois da mesma forma que somos detentores de direitos, também temos responsabilidades. Dar exemplo de cidadania é cuidar da nossa cidade como gostamos de cuidar da nossa própria casa.

Estamos vendo ações de ajardinamento e arborização no nosso município, pelo projeto de privatização dos espaços públicos, com direito dos ‘adotantes’, colocarem sua publicidade. No meu ponto de vista, não seria o correto transferir ações do poder público para a iniciativa privada. Mais uma vez, é terceirizado o serviço! Uma coisa que me causa estranheza, é uma área na Julio de Castilhos, onde a RGE adotou os espaços dos canteiros na calçada, com aramados. Mas não tem sentido a prefeitura municipal colocar sua publicidade junto a da RGE. Torna-se uma poluição visual.

Sem dúvida que a praça da matriz necessitava de uma nova cara. Os investimentos feitos pelo poder público (que não são só municipais) foram feitos e agora são alvos de críticas. As críticas são importantes para reflexão dos idealizadores do projeto. Vejo que são muitas plantas exóticas e poucas nativas. Poucas construções de expressão arquitetônica e muito espaço aberto. Merece iluminação alta para a noite, como a praça Dante Alighieri de Caxias do Sul. Ah: Terminal de ônibus não é para esse espaço.

Talvez há alguém na prefeitura que seja fã de Gonçalves Dias: “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. Há quem ame as palmeiras, idolatre-as. Daqui a pouco vamos ter coqueiros da Bahia por aqui?

Passo com freqüência no Parque dos Pinheiros e tem muita gente usufruindo dele porque está bem cuidado e tem segurança. Agora, vejo que no final da tarde a praça da matriz tem muita circulação também. Isso significa que a população carece de espaços desse tipo.

Fazer áreas de lazer é uma obrigação; um dever da prefeitura municipal. Então, não precisamos fazer um alarde para essas atitudes. É uma situação normal.

Aqui eu moro! Aqui eu cuido!