Waldir Roque Maffei

Nacionalismo versus regionalismo

O que é o Brasil? Um país fragmentado pelas diferenças ou um conjunto homogêneo? E o regionalismo? Seria um sinal do nosso atraso, um obstáculo à atualização da cultura brasileira ou, pelo contrário, o depositário da nossa verdadeira identidade? Se, de certa forma, a ideia do Brasil como conjunto cultural que se impõe pela sua originalidade é unânime, a constatação do fato não dilui as divergências.
Toda a polêmica desencadeada sobre o que significa ser brasileiro deixa clara a relevância da questão regionalista, marcando bem as resistências à tentativa de redefini-la de acordo com novos parâmetros. O regionalismo aparece como uma mediação necessária para se atingir a nacionalidade.
As minhas indagações vão para as manifestações, em forma de festividades, do nacionalismo (Semana da Pátria) e do regionalismo (Semana Farroupilha), com a aplicação de verbas públicas para tais eventos.
Aqui no município de Farroupilha é evidente isso: um desfile de 7 de Setembro programado, com todas as limitações de verbas públicas; sem incentivos maiores para tal, organizado pela Secretaria de Educação. Está com uma equipe administrativa na luta de realizar tal evento...onde as escolas são as protagonistas.
Por outro lado, vê-se a magnitude das festividades da Semana Farroupilha, com todas as verbas disponíveis, com mais gente empenhada para fazê-lo e movimentando a cidade toda, com shows e concursos programados, organizada pelo Departamento de Cultura.


Caminhando nessa reflexão, percebe-se que o nacionalismo está sendo asfixiado pelo próprio poder público, quando fomenta, de forma evidente, o regionalismo. O ser “gaúcho” é mais presente do que ser “brasileiro”. Sabe-se que, por tradição, por história, que o espírito de ser gaúcho é forte. Está nas raízes do povo deste torrão! O que se questiona é quando o governo faz, com verbas públicas, um novo separatismo.