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Em 1947, ela foi batizada como 1ª Ronda Crioula, depois que os integrantes do Departamento de Tradições Gaúchas, do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, retiraram uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria, no dia 07 de setembro. O grupo a transportou até o velho casarão do conhecido “Julinho” e a transformou na primeira Chama Crioula da história. Até o dia 20 de setembro, quando foi extinta, foram promovidos diversos eventos sobre temas regionais e folclóricos, além de bailes, concursos, palestras com intelectuais, provas campeiras, entre outros. Estamos falando da comemoração, que mais adiante passaria a se chamar Semana Farroupilha.

A Chama Crioula é considerada o fogo símbolo da fraternidade, ardor, paixão, hospitalidade e coragem. Representa o gaúcho idealizado no espírito heroico dos Farroupilhas, como ideais de justiça e liberdade, visando à aproximação dos povos

Na época, quem liderou o grupo foi Paixão Cortês, um dos mais conhecidos folcloristas gaúchos. O grande objetivo era resgatar os valores culturais típicos do Rio Grande do Sul. “Não estávamos, nós os jovens, nos insurgindo contra as coisas do desenvolvimento, da liberdade, do progresso e nem éramos insensíveis à evolução. Mas queríamos também o direito de fixar as nossas coisas, de preservá-las, de valorizá-las dignamente nos seus devidos lugares”, destaca Cortês em seu livro “A origem da Semana Farroupilha – Primórdios do Movimento Tradicionalista”.

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, nasceu em Santana do Livramento em 1927. Se tornou um grande folclorista, compositor, radialista e pesquisador do tradicionalismo gaúcho. Conforme entrevista que concedeu ao site GI, somado a outros estados e países, ele acredita que atualmente o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) une mais de 8 milhões de pessoas

A Semana lembra o começo da Revolução Farroupilha, a mais longa e uma das mais significativas revoltas do Brasil. Seu marco inicial foi em 20 de setembro de 1835 e durou quase dez anos, tendo como ideais liberdade, igualdade e humanidade (saiba mais sobre a Saga Farroupilha no final da reportagem). Até 1994, as comemorações para reverenciá-la restringiam-se ao ponto facultativo nas repartições públicas estaduais, ao feriado municipal em algumas cidades do interior e às atividades nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). No ano seguinte, o 20 de Setembro, foi definida pela Constituição Estadual com a data magna do RS, passou a ser feriado, por meio do decreto estadual 36.180/95, amparado na lei federal 9.093/95, de autoria do deputado federal Jarbas Lima.

Atualmente, a Semana Farroupilha é regulada por uma Lei Estadual e Regulamentada por um Decreto. Sua organização é feita em duas instâncias: a estadual com a definição de diretrizes gerais, escolha do tema básico e outras atividades e a local, onde ocorrem os festejos, as manifestações culturais e artísticas, bailes, shows regionais, desfiles, palestras, concursos, etc. Um momento especial de culto às tradições gaúchas, que envolve grande parte da população.

 

Farroupilha: Na cidade que leva o nome da Revolução, Acampamento iniciou em 2001

No ano seguinte à emancipação do município (1935) a Guerra dos Farrapos completaria seu centenário. Para homenagear à Revolução, nossa cidade ganhou o nome de Farroupilha e, assim como em outras cidades do interior, os moradores do município também comemoravam a data magna do Estado. Alguns, por conta própria montavam pequenos acampamentos em praças, outros participavam de encontros promovidos por entidades privadas e ainda tinham aqueles que aproveitavam as festividades promovidas pelos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) para reverenciar o 20 de Setembro.

Inês Busetti, que integra o CTG Rancho de Gaudérios há mais de 30 anos, lembra a evolução das festividades em Farroupilha. “Na época, década de 80, tinha o Galpão Crioulo do Banrisul, nos reuníamos também na Praça da Bandeira, muita gente participava. Depois as entidades tradicionalistas resolveram fazer no Parque Cinquentenário. Não deu certo, era ruim pra se deslocar pra quem tinha que ir a pé e, depois, foi feito no Clube Juvenil. Anos depois, quando construímos a sede do CTG foi passamos a fazer uma semana inteira lá, aberta a todos. A programação tinha concurso de declamações, poesia, cantos. Passavam por lá mais de 500 pessoas por dia, com participação de todos os CTGs e dos farroupilhenses”, relata.

Foi apenas em 2001, que a cidade que leva o nome da Revolução, ganhou um Acampamento, nos moldes que conhecemos hoje. O grande objetivo era integrar todas as entidades tradicionalistas em um espaço amplo, que permitisse a instalação de barracas e a prática dos costumes gauchescos, como o churrasco na vala, a preparação de comidas campeiras, apresentações musicais típicas, bailes, entre outros. O local escolhido pela Prefeitura foi o Largo Carlos Fetter, ao lado da antiga Estação Férrea da cidade, um ponto de fácil acesso para os farroupilhenses e visitantes. Com 18 galpões e uma lona de circo, foi montada o 1º Acampamento Farroupilha, em uma área total de 20 mil m².

A coordenação do evento, na época era do então Secretário Municipal de Habitação, Ferdinando Nunes Aguiar. Ele conta que Farroupilha estava carente de uma festa gaúcha, depois que o Feggart deixou de ser realizado na cidade e ele, como tradicionalista, buscou referências de onde morava, em Alpestre, para sugerir as festividades aqui. “Lá a gente convidava as entidades para fazer seus acampamentos, envolvia os colégios. Aqui, cada CTG comemorava de uma forma, então existia a necessidade de unir tudo isso. No começo era tudo novidade, não se tinham muitas condições, alguns CTGs tinham dificuldade para construir. Então, recorremos ao banco de materiais e ao apoio das serrarias”, ressalta.

Inês ressalta como a ideia foi recebida. “Deram a sugestão de ir para a antiga Estação (férra), onde é feito até hoje, então, a gente participou, começamos com barracos. Nos dois primeiros anos tiveram temporais terríveis, fortes, as lonas subiam, foi bem difícil. Nos próximos, fomos construindo um ranchinho, aumentando ele, até ficar como temos hoje”, relembra.

Luiz Carlos Muller, tradicionalista que ficou à frente da organização da Semana Farroupilha por vários anos, conta que as primeiras edições foram complicadas, por que grande parte da comunidade estava acostumada a ver um comportamento inadequado de muitos que acampavam pela cidade e mantinham essa impressão mesmo com a mudança. “O começo foi muito difícil, enfrentamos algumas resistências, muita gente bebia demais, colocava músicas que nada tinham a ver com a cultura gaúcha, folia. Mas com muito trabalho, empenho, essa visão foi mudando e hoje tu vai com família inteira.

A programação da primeira edição, em 2001, durou oito dias consecutivos, de 13 a 20 de setembro com apresentações de CTGs, shows, bailes, demonstrações campeiras, homenagens, capacitação sobre culinária campeira. “Tinham mais de cinquenta barracos, até com associações de bairros. Nessa época tinha uma churrasqueira, fazíamos um grande fogo único, onde qualquer pessoa podia assar seu pedaço de carne, pegar a cadeira, ouvir uma música e confraternizar juntos. Com o passar dos anos, a sociedade deu a resposta, o público era cada vez maior para comemorar o sentimento gaúcho”, destaca Iano. A primeira edição encerrou com o Desfile de Cavalarianos. Participaram 34 entidades e mais de dez mil assistiram ao evento.

Muller lembra que foram enfrentadas dificuldades quanto a estrutura do acampamento. “Na segunda edição, a lona de circo caiu por causa do vento forte. Em 2006, depois de visitar uma Oktoberfest, vi uma estrutura em formato de pirâmide, bati foto e decidimos que a partir daí seria utilizado esse formato”, diz. Para ele, nos anos seguintes, a Semana foi ganhando um viés cada vez mais profissional. “Fomos nos organizando sempre mais, depois em 2013 iniciou o Farroupilha Bem Gaúcha. Acredito que a Semana sempre será importante porque consegue deixar viva uma cultura, manter a tradição, não a deixa cair no esquecimento”, complementa.

Farroupilha Bem Gaúcha

A partir de 2013, foi integrado à programação do Acampamento Farroupilha, o Concurso Educacional Farroupilha Bem Gaúcha. O projeto, desenvolvido pela Coordenação da Semana, através da idealização do atual vereador Tiago Ilha, Secretaria Municipal de Educação e entidades tinha como objetivo a preservação da história, da cultura e dos modos de vida do povo rio-grandense. Para isso, todas as escolas da rede de ensino farroupilhense receberam cartilhas informativas e indicações de materiais bibliográficos para trabalhar o assunto em sala de aula. Além disso, receberam oficinas de dança, declamação e de interpretação vocal. Cerca de 3 mil alunos foram envolvidos e mais de 800 se apresentaram durante os festejos.  O Farroupilha Bem Gaúcha era um sonho que tinha dentro de mim, que virou realidade, quando o projeto levou o tradicionalismo para as escolas e deixou mais próximo os alunos de nossas tradições, pois pensar em nossas tradições é a certeza da continuidade da cultura gaúcha”, ressalta Ilha.

O tema da edição foi o “Rio Grande do Sul no Imaginário Social”, com homenagem a Teixeirinha. Fizeram parte da programação, shows com grandes nomes da música gaúcha, bailes, Festival de Cinema Gaúcho e jogos campeiros. Conforme estimativa da Brigada Militar, 110 mil passaram pelos 10 dias de festejos.

Já em 2014, a festa aconteceu de 06 a 21 de setembro, no Largo Carlos Fetter, com o tema “Eu Sou do Sul” e homenagem ao artista Gildo de Freitas. Naquele ano, mais de 115 mil pessoas participaram do evento.

A estrutura coberta de 1200m² e o tablado de dança de 400 m² garantiram a participação do público de todas as idades em um espaço confortável. Foram dezesseis entidades e grupos tradicionalistas presentes, comida típica, comércio de indumentária gaúcha e outras opções para os frequentadores.

A novidade foi a inclusão da modalidade instrumental, a participação de estudantes universitários e a ampliação do projeto Farroupilha Bem Gaúcha para toda serra gaúcha. No total, 145 alunos se apresentaram nas modalidades individuais (instrumental, declamação e intérprete vocal) e 18 turmas participaram da modalidade danças tradicionais.

Com o tema “Relembrando o Passado” e homenagem ao artista José Mendes, em 2015 a Semana Farroupilha ocorreu de 11 a 20 de setembro. Foram shows, fandangos, Festival Gaúcho de Cinema, Encontro de Gaiteiros, Jogos Campeiros, Missa Crioula, apresentações dos CTGs locais, além, é claro, do 3º Concurso Estudantil Farroupilha Bem Gaúcha. No ano seguinte, Nico Fagundes foi homenageado e o tema escolhido foi “Nossas Origens”

 

5ª edição do Farroupilha Bem Gaúcha tem como tema “Revivendo a Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul”

A 5ª edição do Farroupilha Bem Gaúcha, coordenada por Rodrigo dos Santos (Tibica) será mais extensa. De 8 a 20 de setembro, estarão presentes no Largo Carlos Fetter, 18 piquetes compostos por entidades e grupos de pessoas que se reúnem e montam acampamentos para celebrar a cultura e as tradições do Rio Grande do Sul em uma grande festividade e confraternização.

A programação será vasta, totalmente gratuita, com diversas atrações culturais, muita música tradicionalista, nativista e gauchesca, jogos campeiros, cinema, palestras, encontro de gaiteiros e o grande concurso estudantil.

Comemorando a retomada do principal festival de música da província de Santa Fé, o tema de 2017 é “Revivendo a Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul”, evento que teve início em 1971 e foi responsável pela difusão de grandes autores, músicos e das principais canções da nossa terra. Depois de algumas interrupções ao longo dos anos, a Califórnia ocorre de 8 a 10 de dezembro, em Uruguaiana.

O artista homenageado será o músico, cantor, compositor e acordeonista Luiz Carlos Borges. Com 64 anos de idade e quase 60 de carreira musical, ele está entre as grandes atrações do Farroupilha Bem Gaúcha. Nascido em Santo Ângelo e criado pelas regiões da Fronteira e Missões, Borges começou na música aos sete anos e tem mais de 30 discos gravados, sendo destaque na 9ª Califórnia, em 1979, quando interpretou a canção Tropa de Osso, grande sucesso de sua autoria, conquistando a melhor posição na linha Manifestação Rio-grandense.

É claro que o Concurso Estudantil não poderia ficar de fora. Para promover o intercâmbio cultural, projetar a cultura popular e tradicional do Rio Grande do sul, além da integração entre os estudantes do município, a atração volta para valorizar os artistas de Farroupilha desde cedo para crianças e adolescentes. As inscrições para os estudantes de toda a rede escolar, desde a educação infantil até os anos finais do ensino médio, seguem até esta quarta-feira, 6 de setembro. As apresentações, nas modalidades declamação, instrumental, intérprete, danças e chula vão ocorrer nos dias 13, 14, 15 e 18 de setembro.

Financiado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do governo do Estado, Pro Cultura-RS, e pela Lei Rouanet, o Farroupilha Bem Gaúcha é um evento sustentável que não despende recursos públicos municipais para a sua realização. Promovido pela Prefeitura de Farroupilha, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura, e realizado pelo Produtor Cultural AM9 Produções, o evento conta com o patrocínio de Grendene, Tecnova, Sulgás, Freuden Bier, Saindo a Cavalo, Vento Negro, Lojas Colombo, Reginato Comércio de Bebidas e apoio de Ferragem Debiasi, Entidades Tradicionalistas, Ecofar, Sesi Farroupilha, Fecomércio RS | SESC, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Unopar e Amiga Informática.

Fotos: Arquivo prefeitura | Fonte: Assessoria de Imprensa e Comunicação Social da Prefeitura de Farroupilha