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Além de alimentos frescos, sem agrotóxicos e com valores acessíveis, consumidores encontram na Feira Agroecológica de Farroupilha um espaço de sabedoria

Um dos principais fatores para manter nosso organismo em perfeito funcionamento é ter uma alimentação saudável e equilibrada. Para fortalecer ossos, reconstruir tecidos musculares, manter a saúde mental, evitar o acúmulo de gordura e o desenvolvimento de doenças é preciso nutrir nosso corpo com alimentos que nos auxiliam em todos esses processos, como frutas, verduras, legumes, proteínas magras, gorduras boas e muita água.

No entanto, dentro desses grupos alimentares, existem aqueles que podem ser ainda mais eficientes para a preservação da saúde. Estamos falando dos orgânicos, ou seja, produtos cultivados sem agrotóxicos e sem fertilizantes químicos. Para se ter uma ideia da vantagem nutricional deles, uma laranja orgânica tem até 30% mais vitamina C do que a convencional. Já o suco de uva orgânico tem 2,8 ml/litro de resveratrol – substância que reduz o risco de doenças cardiovasculares, aterosclerose e aumenta os níveis do colesterol bom – enquanto o convencional tem apenas 1,0ml/litro.

Foi justamente com intuito de proporcionar que os farroupilhenses tivessem a oportunidade de adquirir alimentos livres de agrotóxicos e diretamente do produtor, que em 2014, foi criada a Feira Agroecológica de Farroupilha. A vontade por parte dos agricultores já existia há muitos anos, mas foi através da criação da Associação Farroupilhense de Agroecologia, do apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural e do convênio firmado com o Centro Ecológico Ipê-Serra, que foi possível viabilizar a nova opção na cidade.

O Secretário Municipal Ricardo Bicca Ferrari, explica que durante dois anos, a Feira foi realizada na Praça da Bandeira, com o objetivo de aproveitar a movimentação da área central da cidade. Porém, com o passar do tempo a circulação de pessoas e sua expansão ficou limitada. “Para oferecer mais conforto para clientes e comerciantes, no início de 2016, ela foi transferida para o Largo Carlos Fetter, em um espaço amplo, coberto, com facilidade de estacionamento e já conhecido por receber a tradicional Feira Livre do Produtor Rural. Nossa ideia agora é fomentar ainda mais, através de divulgação e do incentivo a novos ingressantes na agroecologia”, explica.

Para Sérgio Eliseu Barbieri, morador de nova Milano, que há 17 anos trabalha com a agroecologia, a mudança de local foi para melhor. “O pessoal pode vir aqui e ficar tranquilo mesmo quando chove. Coloca o seu carro próximo e fica bem prático. Fora que o pessoal já sabe que aqui é o lugar de feiras em Farroupilha. Na quinta, específica dos orgânicos”, explica. A consumidora Ana Silvestrin, também aprovou a troca. “Ficou excelente, principalmente em dias de chuva, não tem transtorno para os produtores na hora de descarregar os produtos. Desde que tomei conhecimento do qual era diferença, não me restou dúvidas, acabei dando preferência para os orgânicos. A comida fica melhor, mais saborosa, são vitaminas que não estão acompanhadas de agrotóxicos e adubo, eu fico tranquila em consumir. Espero que eles cresçam, que a Feira tenha cada vez mais sucesso”, ressalta.

Atualmente a Feira Agroecológica acontece todas as quintas-feiras, das 11h30 às 16h30, ofertando morango, pera, ameixa, nectarina, tomate cereja, couve, cenoura, beterraba, batata, brócolis, alcachofra, cebola, grãos, mel, hortaliças, temperos, ovos caipiras, sucos e outros itens conforme a época da colheita.

A certeza de estar consumindo um produto seguro e que faz bem à saúde vem atraindo e fidelizando cada vez mais clientes. A moradora Dulce Mahs, já é frequentadora assídua e acredita que o investimento nesses produtos, que tem uma ligeira diferença de valor em relação aos convencionais encontrados nos supermercados, vale a pena. “Já encontrei coisas mais baratas aqui do que no mercado, como feijão, pinhão e as próprias saladas. Claro, outras tu paga um pouco mais, mas se formos falar sobre dinheiro, tu gasta muito mais em uma farmácia, então, prefiro pagar um real a mais para comer algo que sei que posso comer até sem lavar”, enfatiza ela.

Além de fazer parte da fonte de renda dos produtores ecológicos, a Feira também tem se tornado um espaço para a disseminação do conhecimento. “O pessoal chega muito para pedir dúvidas. Nessa época por exemplo, eles não acreditam que podemos ter um morango tão grande, sem veneno, sem químico, sem ureia. Então, a gente explica que existem muitas variedades de morango, inclusive os que são maiores e que também no início de pico de colheita, os primeiros que vem são grandes, por que a planta está com vigor e pique. O produto orgânico é muito diferenciado. As nozes, as castanhas do pará, elas tem selênio, lítio, para pessoas que tem depressão. Uma folha do brócolis tem 26% a mais de cálcio que a própria flor do brócolis, melhor que tomar leite. São detalhes que passamos para o consumidor. A gente está sempre à disposição para passar informações, por que não estamos aqui só pelo dinheiro, mas pelo conceito de vida”, finaliza o produtor Luiz Antônio Pasini.

Para a nutricionista da Secretaria Municipal de Educação, Fabiana Bernardi, o grande problema enfrentado atualmente não é o uso de alguns defensivos, mas sim a utilização indevida deles “As doses altas, o excesso dos defensivos agrícolas no cultivo e a falta de respeito às carências são fatores que a longo prazo trarão consequências. Então, optar pelo agroecológico é ter a certeza que não estamos consumindo nada que pode nos prejudicar. Por isso, existe um cuidado muito grande também na merenda destinada às escolas municipais”.

O trabalho realizado pela Prefeitura segue e supera às exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A Lei nº 11.947 determina que no mínimo 30% do valor repassado aos municípios seja utilizado na compra de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar. Em Farroupilha esse percentual chega a 79%, ultrapassando a meta estabelecida nacionalmente, aumentando assim a variedade e qualidade do cardápio. Muitos deles são totalmente orgânicos, como laranjas, brócolis, couve flor, repolho e moranga.

De acordo com o livro “Anticâncer – Prevenir e vender usando nossas defesas naturais”, do médico e neurocientista David Servan-Schreiber, mais do que os benefícios nutricionais, os orgânicos provêm de sistemas agrícolas baseados em processos naturais, que não agridem a natureza e mantêm a vida do solo intacta, mantendo a vida de minhocas, besouros e outros pequenos organismos altamente benéficos para a agricultura. Conforme a obra, com a não utilização de adubos químicos sintéticos, agrotóxicos e transgênico, a qualidade da água e do solo melhora e a biodiversidade aumenta. Além disso, substâncias veiculados em certos herbicidas e inseticidas são perturbadores hormonais, podendo reduzir a fertilidade humana e aumentar risco de câncer. Outros alteram o funcionamento da tireoide, deixando o metabolismo mais lento.

“Os sistemas de cultivo que não agridem o meio ambiente estão em franco crescimento em todo o mundo. Percebo que alguns já estão migrando pra agro, é uma tendência, que está aumentando em questão exponencial. É o futuro”, diz o engenheiro Bartelli.

O engenheiro ambiental, Gustavo Bartelli, reflete sobre a importância de apoiar a agroecologia, uma ciência que estuda o modo de produzir sem prejudicar os seres vivos e o ambiente. “Como trabalho com isso, vejo que eles estão lutando contra o sistema. Em todos os financiamentos e políticas de incentivo eles estão à margem. O incentivo hoje é veneno, é transgênico, é tirar o rótulo para a gente não saber o que está comendo. Então, o que eles estão fazendo aqui é revolucionário, é inovador, é tecnológico. Tu visita a propriedade deles tu não vê terra, agrotóxico, veneno, máscaras para lidar com teu alimento. Todos temos que apoiar, por que é uma questão que reflete lá na frente”.

Para continuar apoiando os produtores familiares ecológicos e incentivar que novos agricultores migrem para a agroecologia, a Secretaria de Desenvolvimento Rural organiza, por meio do Centro Ecológico Ipê- Serra, encontros, visitas, cursos, oficinas de capacitação e assessoria técnica para a produção e comercialização da produção. A ONG trabalha desde a década de 80 para viabilizar avanços sustentáveis na produção agrícola, mediante a adoção de tecnologias alternativas orientadas pela filosofia da preservação ambiental e da justiça social.

Hoje a Feira tem sete expositores, mas o espaço no Largo Carlos Fetter tem a capacidade para agregar novos produtores. Na imagem, Loreci Pasini, Maria Mocelin Miri, Ana Lenir Zanoni da Silva, Stefano Marchese, Margarida Biesek Lovatto, Rira Ribacki, Maria Somacal Pandolfi

Devido aos investimentos na área, em 2015, Farroupilha ficou entre as onze cidades certificadas pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Gestores Públicos. A condecoração foi criada em 2001, com o objetivo de identificar, certificar, premiar e difundir tecnologias sociais que sejam efetivas na solução de questões relacionadas a alimentação, educação, energia, habitação, meio ambiente, recursos hídricos, renda e saúde.

Entre os resultados já alcançados com o convênio e outros esforços estão o atendimento permanente de 50 produtores rurais e a conversão de 15 deles para a agroecológica, além da contratação de um engenheiro agrônomo e de empresa especializada que realiza visitas mensais. Conforme o Diretor -Geral da Secretaria, Rogir Centa, em breve serão promovidos intercâmbios com outras feiras e no próximo ano a intenção é trabalhar junto às escolas municipais.

Fotos: Divulgação | Fonte: Assessoria de Imprensa e Comunicação Social da Prefeitura de Farroupilha